(...) Eu sei que algum dia nos iremos nos separar, de uma forma ou outra seguiremos caminhos diferentes, um dia será assim, o próprio destino vai nos separar. E então o tempo vai passar, e como o tempo as lembranças também serão esquecidas, eu sei que alguns irão construir famílias, terão novas amizades e no fim nem vai ter tempo para lembrar de sua adolescência. E comigo também será assim, num futuro próximo eu posso não ter mais a companhia de vocês e me dói saber disso, saber que um dia, tudo que passamos juntos, serão esquecidos. Mas eu sei também que vai ter o dia, em que eu vou pegar fotos, lembranças dessa época que vão me mostrar vocês, e aí vai bater aquela saudade, aquela vontade de está por perto, de abraçar, de querer saber como vocês estarão e no fim a vontade de está perto de vocês novamente. E um dia vão me perguntar, quem são as pessoas da foto, e eu encherei a boca de orgulho para dizer “São meus amigos”.
Ela estava sentada naquele banco a algum tempo, nada parecia muito bom, não estava nem um pouco interessada na conversa das amigas, estava mais preocupada com o relógio, queria que o tempo passasse mais rápido só para poder ir embora sem nenhuma desculpa, olhou para cima tentando achar um bom motivo para ficar, então abaixou a cabeça e viu alguém que mudou completamente o que ela estava sentido, ela olhou aquele garoto da cabeça aos pés, viu aquele jeito lindo, meio tímido, mesmo de longe percebeu com ele era fofo, tentou desviar o olhar, mas não conseguia parar de olhar aquele garoto, sentia algo diferente dentro dela, ela nunca tinha visto alguém como ele, alguém que parecesse tão tímido mas aos olhas dela chamava cada vez mais atenção, era exatamente o que ela queria, um menino comum, um pouco esquisito, meio desastrado, conseguiu imaginar como seria beija-lo, tocar seu rosto, sentia-se tão estranha, não sabia nem quem ele era, não sabia seu nome, nada, mas já estava ali quase implorando pra Deus para que ele pelo menos olhasse para ela, que ele sentisse a mesma coisa, que seus olhos se encontrassem e percebessem que foram feitos um para o outro, o que era aquilo ela mal havia o visto e já sentia aquilo, não sabia se chorava ou se ria da própria cara por ter sentido aquilo, ela não queria saber de mais nada, o tempo parou, para ela só existia ele naquele lugar, não podia mais tirar os olhos daquele sorriso tímido, esqueceu completamente de quem estava com ela, agora só sentia-se leve, flutuando, queria ir até ele, mas não teria essa coragem, guardou o que sentiu, pois não sabia nem se o veria novamente, mas nem se importava, só queria que aquele momento durasse um pouco mais só para poder se perder mais um pouco nos seus pensamentos e imaginar como seria se ele estivesse ali com ela, naquele momento,mas que aquele momento durasse para sempre.
“Filho da puta.” “Credo, quanto palavrão.” “Deduzo que vossa senhoria seja o filho um humano do gênero feminino que comercializa o próprio corpo em troca de valores em dinheiro.”